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TRAUMA TEM CURA

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TEATRO ESPONTÂNEO COMO ABORDAGEM TERAPÊUTICA

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ARTE E LIBERDADE

27/03/2019

De que forma a arte pode colaborar para o desenvolvimento do ser humano a fim de que ele expresse com liberdade todo seu potencial artístico, intelectual, social e espiritual?

 

Penso que encontrar respostas e sinalizar possíveis caminhos será uma jornada muito especial de reflexões e vivências.

 

Primeiro é preciso considerar todos os aspectos que colaboram para uma educação baseada no desenvolvimento da criatura nos âmbitos físico, mental e espiritual.

  • O âmbito físico abrange a técnica específica da arte a ser expressada.

  • O âmbito mental reflete o intelectual, isto é, o conhecimento acerca das várias escritas da arte.

  • E o espiritual envolve a criatividade, a intuição.

 

No mundo atual da humanidade, quando se fala em inteligências múltiplas e inteligência emocional, em inter e transdisciplinaridade, temos que buscar a inteireza.

Então, para melhor capacitação do artista, quanto à percepção intuitiva, sensibilidade e criatividade, surge a preocupação de se exercitar também a imaginação, a espontaneidade e a liberdade de criação; e que essa arte seja direcionada para o crescimento do homem como ser racional, sensorial e espiritual, auxiliando-o a compreender as transformações rápidas que vivemos, preparando-o para o século XXI.

 

Moema Craveiro Campos, expondo sua visão geral da arte, chama-nos a atenção à necessidade de uma educação globalizante, condizente com o momento do planeta e acrescenta a necessidade urgente da prática da criatividade na educação.

 

Afirma que é de extrema importância a espontaneidade no momento da criação de arte, presente na expressão de uma idéia marcada pela nossa identidade – contado com o divino que existe em nós.

 

É o momento de fazermos uma conexão com o sensível do nosso ser, facilitando a liberdade de expressão.

 

E como seria essa expressão artística sem perda da liberdade e da função estética da linguagem?

 

Vários aspectos podem ser observados:

 

Primeiro, a busca do direito à criação e o contato com o espiritual da arte. Entendemos que isto só terá sentido se tiver como objetivo primeiro o crescimento individual da pessoa, através da satisfação plena de se expressar pela arte. Isso envolve a satisfação no fazer.

 

Arte está ligada a sentimento, consequentemente à expressão, resultando em comunicação.

 

Impossível negar a energia e poder existentes na arte e sua relação misteriosa com o interior do homem, capaz de atrai-lo, modifica-lo e até mesmo conduzi-lo. A arte enquanto energia estimula o movimento interno e externo no homem, impulsionando-o à ação.

 

É inegável a força de comunicação e energia que a arte proporciona sem a consciência mais profunda do que isso representa. Sensorialmente todos devem sentir as modificações que a natureza proporciona no próprio interior: a força da natureza no som de uma cascata; a beleza de um vale ou montanha; a satisfação de ver uma árvore florida.

 

Isto toca nosso interior. Esses valores não são só materiais e, portanto nossa atitude não será a mesma se vemos nelas valores espirituais e cósmicos. Há nisso um poder fundamental – de fazer evolver ou degradar completamente a alma do indivíduo.

Assim, a arte tem o imenso poder de proporcionar o crescimento individual do ser e o contato com o mundo que o rodeia.

 

O Segundo aspecto nos mostra que a arte é uma necessidade humana. É quando ela surge em suas diversas manifestações: plástica, cênica, rítmica.

Neste caso temos que considerar a “forma” como elemento no qual repousa a expressão do artista.

 

A expressão é a harmonização entre dois aspectos da percepção humana: razão e sentir. Numa profunda interseção se dá a realização artística. A forma é o resultado da ordenação dos elementos que ocorreram na imaginação.

 

Consideramos a arte como criação de formas simbólicas do sentimento humano.

 

Na realização da arte, a técnica é o caminho da suprema habilidade de domínio do material a ser usado; isso envolve da compreensão de arte à paciência de se habilitar. Este processo é tanto externo quanto interno, pois leva-nos a descobrir que o domínio perfeito da arte, ao contrário de oprimir, libera.

 

No Oriente, a palavra arte carrega no seu cerne o sentido de aprimoramento, de busca da elevação, do caminho da espiritualidade.

 

Se a arte flui em duas correntes distintas no Oriente e no Ocidente, crê-se numa união dessas duas correntes, que se refletirá no aperfeiçoamento da evolução estética da humanidade.

 

O pensamento artístico ocorre em três níveis:

 

1º – o uso da arte com sentido puramente estético;

2º – refletindo o plano intelectual e educacional;

3º – manifestando o sentido espiritual.

 

 

Sob este aspecto não é necessário que todo homem venha a ser um artista, mas é necessário todos terem sua faculdade estética desenvolvida, as emoções trabalhadas, o gosto treinado e sensível ao sentido da beleza, a compreensão intuitiva aberta à expressão da forma e da cor. A purificação do coração é a estrada indicada pela qual o homem chega a esse cumprimento superior. A arte é o agente poderoso em direção a esse fim.

 

Ressaltamos aí a necessidade da arte na educação, expressada pela imensa força educativa da música, pintura, escultura, etc. A educação, ao utilizar a arte evoca na alma humana e no mundo exterior o poder e força da natureza, energia, calma, inspiração, entusiasmo. Daí sua importância na educação, pois se a arte é sutil e delicada, ela também torna nossas mentes sutis e delicadas em seus movimentos (suas produções).

 

Sabemos que educação é um contínuo desenvolver, um transformar pela consciência, um pensar para atuar. Para tal torna-se necessária tanto a liberdade para desenvolvimento da personalidade como a afetividade que proporcionará segurança.

 

Quanto à liberdade, podemos observar que um indivíduo é livre quando ele próprio se permite sentir e se dispor a projetar seus pensamentos. O resultado dessa liberdade na arte é percebido quando os produtos estiverem mais próximos do criativo. Dessa forma, o homem tem a oportunidade de reter a informação obtida, experimenta-la, avalia-la, percebe-la em detalhes e devolve-la com modificações de caráter pessoal, influenciada pela criatividade que lhe é inerente.

 

A verdadeira educação é voltada para a formação integral do indivíduo, desenvolvendo desde a inteligência, o pensamento, a consciência e o espírito, capacitando-o a viver numa sociedade pluralista em permanente processo de transformação.

 

“Isso implica, além das dimensões cognitiva e instrumental, o trabalho, também da intuição, da criatividade e da responsabilidade social, juntamente com os componentes éticos, afetivos e espirituais. Para tanto, a educação deverá oferecer instrumentos e condições que ajudem o aluno a aprender a aprender, a aprender a pensar, a conviver e a amar. Uma educação que o ajude a formular hipóteses, construir caminhos, tomar decisões, tanto no plano individual quanto no plano coletivo.”  

 

A educação é um processo vital na formação do homem, para o qual concorre a ação consciente do educador e a vontade livre do educando. É uma atividade que leva o ser humano a desenvolver suas potencialidades físicas, morais, intelectuais e espirituais.

 

Abrange o homem integral em todos os aspectos de seu corpo e de sua alma, ou seja, em toda extensão de sua vida, com o objetivo de eleva-la e aperfeiçoa-la. É processo contínuo, que começa nas origens do ser humano e se estende até à perfeição.

 

A educação através da arte possibilita a percepção da harmonia, a distinção do feio e do bonito pela atitude natural de observação sensível.

 

Pela arte-educação toca-se o interior sensível do ser; a arte passa a ser o reflexo expressivo desse interior, mostrando suas características únicas e pessoais.

 

O manejo livre desse potencial proporciona uma maior participação na comunicação. Isto é interação do indivíduo com a sociedade. Mas, para expressão livre é necessária a exteriorização, sem receios, do sentimento, sensações, pensamentos e das próprias intuições.

 

Quando damos à intuição o devido valor, observamos que ela é a essência para se alcançar a liberdade de expressão.

 

A importância da livre-expressão está na tentativa de afetar outras pessoas pela exposição do pensamento e sentimento.

 

As oficinas de arte têm como objetivo desenvolver a criatividade inerente em todos nós, resultando também no acesso ao auto-conhecimento e realização pessoal, ao mesmo tempo que abre espaços ao exercício da intuição. A expressão com liberdade natural faz o indivíduo vivenciar a arte integrada com todas as áreas do conhecimento, dando oportunidade de recriação e participação ativa do indivíduo, no seu sentido mais completo.  ( Art Workshop )

 

Se desde pequenos tivéssemos a liberdade de usar a arte, vivendo com prazer o mundo da fantasia, teríamos menos medo de “errar” e mais liberdade de expressão.

Certamente cumpriríamos as fases do desenvolvimento natural do processo criativo na trajetória do autoconhecimento e conquista da técnica.

 

São etapas naturais para se atingir o conhecimento criativo artístico.

O experimentar está ligado à permissão do erro. Errar e acertar é dualidade a serviço do equilíbrio.

 

O exercício da liberdade tem como meta a realização de idéias. O resultado permite transmitir, através da arte, o sentimento do artista.

 

Na verdade há um tipo de magia contida na arte que estimula o sentimento, trazendo outras cargas de sensações renovadas. É como uma nutrição, onde as diversas linguagens artísticas permitem aprender o amor. É também um despertar da imaginação criativa, dando consistência à expressão mais livre e mais rica.

 

Na área pedagógica observa-se uma crescente necessidade de valorização do processo criativo. A criatividade permite um contato mais profundo da criatura com seu potencial interno. É trabalho simultâneo de experimentação, exploração, percepção, como também elaboração e estruturação de idéias. Neste processo a pessoa entra em contato consigo mesmo, cujo resultado é o  autoconhecimento que abre espaço para a transformação própria e crescimento.

 

Em se tratando de educação na arte cremos que o objetivo primeiro deva ser o de desenvolver o ser sensível que há em todos nós. Esse ser sensível deve-se permitir existir e expressar.

 

O direito de se expor através da expressão é fruto da liberdade interna de se permitir sentir e de expor seus sentimentos; é expressar sua liberdade de ser.

Importante lembrar que, antes de ser artista é necessário vivenciar o ato de aproximar-se de si próprio e de suas emoções.

 

Todo artista deve ser capaz de criar dentro de si, em momento preciso, um estado de espírito que lhe permita realizar o desempenho artístico dele exigido.

 

Prosseguindo neste pensamento diz que essa atitude é uma faculdade que o artista adquire ao observar seus sentimento, aprendendo a transformá-los, a eliminá-los, se for necessário ou faze-los nascer novamente.

 

Esse processo implica na expansão das potencialidades da pessoa, pois ao tornar-se livre interiormente escolhe uma “vida plena”, isto é, capaz de expressar sem limites. A relação entre vida e liberdade se concretiza muito mais numa postura interna de não ter medo de ser e de se expor.

 

Alguns autores acreditam que uma obra é frequentemente expressão espontânea do sentimento, ou seja, reflexo do estado de espírito do artista, deixando transparecer também a vida da sociedade da qual ele se origina.

 

Sobre a necessidade humana de produzir e apreciar arte, afirmamos que a verdadeira liberdade será conquistada somente na superação do individualismo, isto é, não pode estar distante do coletivo, visto que o ser humano está inserido em um contexto social. Isto o leva à necessidade de construção de um modo de gestão responsável da própria liberdade, tendo como perspectiva os demais seres humanos.

A arte, nesse sentido, tem o papel de agir como reflexo para o próprio aperfeiçoamento moral e instrutivo do sujeito.

 

Ao ampliar este conceito de arte e valorizar este campo de estudo e de criação, a arte é a possibilidade de elevação do espírito, tanto no processo de criação, quanto no ato de contemplação da obra artística.

 

 

 

Fonte: www.institutoarteevida.org.br

 

 

 

 

 

 

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