Arteterapia para Crianças

  Este trabalho tem como objetivo desenvolver nas crianças:    

 

  • expressão verbal e corporal.

  • atenção,

  • percepção,

  • coordenação motora fina e ampla,

  • imaginação,

  • raciocínio lógico,

  • criatividade,

  • memória,

  • concentração,

  • aprendizagem,

  • relacionamento interpessoal. etc...

O ambiente, no desenvolvimento emocional saudável dos indivíduos, desempenha um papel de grande relevância, ao oferecer condições suficientemente boas, atendendo às necessidades apresentadas por esses indivíduos (WINNICOTT, 1960). Esse ambiente é, inicialmente, representado pela mãe, no momento em que a criança encontra-se em um estado de extrema dependência e esta pode atender ao que seu filho necessita por entrar em um estado de “preocupação materna primária” (WINNICOTT, 1956). Posteriormente, esse ambiente se amplia abrangendo os outros integrantes do mesmo, tais como família e sociedade, sendo que todos desempenham papéis de importância, ao oferecer o acolhimento e a estrutura necessários.

 

Para Winnicott (1975), a saúde está fortemente ligada à capacidade de brincar das pessoas e de serem criativos. Assim, a psicoterapia, que se constitui em um brincar conjunto entre paciente e terapeuta, objetiva “trazer o paciente de um estado em que não é capaz de brincar para um estado em que o é” (WINNICOTT, 1975, p. 59). Considerando as colocações acerca do desenvolvimento emocional e da importância do brincar e da criatividade, pode-se pensar que as atividades que se utilizam dos recursos advindos da arteterapia, somados ao oferecimento de um ambiente “suficientemente bom” podem promover um importante espaço de expressão, acolhimento e desenvolvimento para crianças.

 

Acredita-se que a arteterapia se configura como uma alternativa de atendimento psicológico a crianças, já que as produções artísticas das crianças oferecem informações ao terapeuta, que poderiam não ser obtidas através de meios verbais, beneficiando a criança que necessita de intervenção e compreensão (MALCHIODI, 1997).

 

As atividades artísticas se constituem como catalisadoras de um processo de resgate de qualidade do viver, em seu sentido mais humano e, a partir da relação terapêutica, proporcionam, de maneira eficaz e rápida, “pontes para a intersubjetividade, um contato rico, íntimo e profundo que, dependendo do caso, pode prescindir de palavras ou enriquecer com elas” (CIORNAI, 1995, p. 62). A expressão verbal vem para enunciar o que se elaborou plasticamente, sendo que a utilização terapêutica das artes plásticas se mostra útil tanto em situações individuais como grupais (BAYRO-CORROCHANO, 2001).

 

A arteterapia se constitui como algo mais flexível e que permite a captação da riqueza do mundo emocional e relacional do indivíduo. Pode ser utilizada com fins diversos, como possibilidade de catarse, de insight ou como elemento projetivo que propicia a intervenção terapêutica (SUÁREZ; REYES, 2000).

 

Para Urrutigaray (2004), a arteterapia possibilita a reconstrução e integração da personalidade, fornecendo condições para o sujeito transcender vivências imediatas, e estar disponível para novas experiências e sentimentos. O trabalho do arteterapeuta se baseia na promoção de estímulos para a criação e finalização do trabalho, acompanhando o cliente através da observação de suas atividades e expressões verbais.

 

Para Aiello-Vaisberg (1999, p.656), a arteterapia serve como um “caminho para um viver criativo”, com a arte se constituindo como um meio e não como fim em si mesma. Através de um ambiente terapêutico suficientemente bom se faz possível a emergência e acolhimento do gesto criativo e espontâneo do indivíduo, proporcionando a experiência de ser alguém singular, único a partir de sua espontaneidade.

 

Na atualidade, faz-se necessária a possibilidade de expressão dos sentimentos, desejos, necessidades, medos e também de se ser escutado por interlocutores disponíveis, encontrando reconhecimento e respostas às demandas. O respeito pelo indivíduo atendido é essencial, além de um intenso trabalho de escuta, observação, compreensão e elaboração pelo arteterapeuta (VERDEAU-PAILLÈS, 2003).

 

Naumburg (1991) coloca que na arteterapia psicanalítica reconhece-se que os indivíduos têm uma capacidade latente de projetar, nas formas visuais, seus conflitos internos. Nessa abordagem busca-se uma expressão plástica espontânea, encorajando-se o próprio sujeito a descobrir por si mesmo o significado de suas produções. Aponta que a arteterapia auxilia na redução da duração do tratamento e das complicações da transferência negativa, sendo que “as imagens objetivadas atuam então como uma comunicação simbólica imediata que sobrepuja as dificuldades inerentes na linguagem verbal” (NAUMBURG, 1991, P. 389).

 

Quanto à realização do trabalho em grupo, Aiello-Vaisberg e Machado (2003) colocam que:

 

A psicoterapia transcorre em grupo, sempre que possível, porque esta é a ‘situação natural’ em que transcorre a vida humana, que é coexistência, a qual, inclusive, ajuda a promover a sustentação emocional e facilita o relaxamente necessário à auto-expressão criativa (p. 25).

 

Segundo Zimerman (1997a), o campo proporcionado pelo grupo pode se constituir como uma galeria de espelhos ao oferecer espaço para que as crianças reflitam sobre suas relações com o socila e em sua aprendizagem, favorecendo a consolidação da própria identidade. Os aspectos transferenciais e contratransferenciais devem ser considerados também no trabalho grupal, mas neste caso, esses fenômenos manifestam-se com uma maior complexidade, surgindo as “transferências cruzadas”. O coordenador deve, então, ser capaz de perceber essas manifestações, utilizando-se da contratransferência como um instrumento de empatia (ZIMERMAN, 1997b).

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