TEATRO PEDAGÓGICO PARA ADOLESCENTES

Aquele que fracassa para nós é alguém a quem algo pode acontecer.

Aquele a quem nada pode acontecer é o que chamamos de vítima.

Esta é a diferença entre um menino pobre e um pobre menino.

A compaixão e a piedade pelas vítimas tiram de nós a responsabilidade de pensar naquilo que possa fazer de alguém outra coisa radicalmente diferente do que ele é.

 

  Estanislao Antelo

Em: “A educação que faz falta”, 2000.

Vivemos em uma época em que o sentimento solidariedade se deteriorou, provavelmente fruto da ideologia capitalista em que o egocentrismo prevalece .As famílias cada vez mais envolvidas por seus problemas estruturais,e em uma sociedade onde as inserções profissionais  são precárias ou inexistentes, e que estão cada vez maiores.

 

Percebemos a escola num lugar em que professores e alunos possam conviver de maneira afetiva num clima de solidariedade fazendo surgir oportunidades para a criação de relações positivas trazendo benefícios para todos.

 

 

A adolescência é uma etapa de contínua mudança e rápido desenvolvimento, durante a qual se adquirem novas capacidades, se fixam condutas e habilidades e, o mais importante, se comece a elaborar um projeto de vida pessoal. Nesse período o adolescente, já conta com um tipo de pensamento formal que lhe permite confrontar, refletir, debater, analisar e tirar suas próprias conclusões. Por tudo isso, é essa etapa o momento oportuno para fortalecer o desenvolvimento, potencializar os fatores protetores e prevenir as condutas de risco, reforçando os potenciais resilientes.

 

A resiliência delineia a combinação de fatores que permitem a uma criança,um adolescente, um ser humano enfrentar e superar os problemas e adversidades da vida e construir sobre eles (Suarez Ojeda,1993).”É um chamado a se concentrar em cada indivíduo como alguém único, é enfatizar as potencialidades e os recursos pessoais que permitem enfrentar situações diversas e sair fortalecido, apesar de exposto a situações de risco”.

 

Resiliência, então pode ser definida como a capacidade, de pessoas ou grupos, de enfrentar as adversidades da vida com êxito, e até sair fortalecido delas. Define Ravazzola (ano, p. 113):

Respondendo a este chamado, portanto, propusemo-nos a abordar um projeto de trabalho com adolescentes na escola, como um lugar propício para isso, pois este é um lugar de aprendizagem e crescimento, em que os adolescentes já se encontram inseridos num grupo.

Segue, abaixo, os objetivos e metas para serem alcançados:

 

Objetivos:

 

Geral:

 

- Investigar e promover os potenciais resilientes nos adolescentes;

- Contribuir para a construção da cidadania de adolescentes em situação de exclusão social e o retorno destes jovens ao convívio familiar, escolar e comunitário.

- Levar uma nova realidade para jovens ,proporcionando condicionamento, disciplina, educação social e  prazer.

- Resgatar a auto-estima de adolescentes e jovens de baixo poder aquisitivo propiciando a estes a inclusão social através do teatro, além de momentos de prazer, fazendo com que estes jovens sintam-se como  cidadãos na sociedade e dela participante e atuante criticamente.

- Possibilitar através de diferentes práticas psicopedagógicas a inclusão ou reinclusão de alunos com sintomas escolares indesejáveis ao sistema Educacional.

- Contribuir para prevenir a evasão escolar.

 

Específicos:

 

- Gerar reconhecimento de cada adolescente e nutrir sua auto-estima;

- Promover a iniciativa e a criatividade, recriando um clima lúdico para a aprendizagem;

- Estimular a capacidade de se relacionar;

- Obter melhor conhecimento de si mesmo(introspecção) e dos outros;

- Refletir e falar do lugar que o adolescente ocupa na família e o lugar que a família ocupa para ele;

- Identificar a família como um fator protetor;

- Identificar fatores de risco e de proteção da família;

- Obter o conhecimento e aceitação de suas capacidades e limitações;

- Desenvolver a criatividade, fazendo uso de sua liberdade;

-Exercer uma autonomia responsável;

- Reconhecer importância de atuar de forma coerente e comprometida, de acordo com seus valores fundamentais;

- Desenvolver a capacidade de iniciativa;

- Obter um desempenho eficaz em situações escolares específicas;

- Conhecer as oportunidades de realização pessoal e profissional e possa então projetar seu futuro;

- Possa estabelecer relações interpessoais empáticas, a partir do reconhecimento das diferentes formas de comunicação.

 

 

Público Alvo:

 

Alunos das Classes de Aceleração de Aprendizagem da Rede Municipal de Educação de Niterói.Em, 2011 e 2012.

Metas:

 

Contribuir para a melhoria das condições emocionais dos estudantes, visando sua reintegração no seu meio escolar e sua participação no mundo cultural, político e de produção econômica.

 

 

Metodologia utilizada:

 

O adolescente, de uma maneira geral, fala pouco de suas dificuldades. Se tentarmos lhes fazer perguntas de como estão se sentindo, sobre quais conflitos de sua vida íntima gostariam de falar, eles ou não respondem ou tendem a não nos levar a sério, respondendo com gozações e brincadeiras, dada a dificuldade que têm de mais diretamente abordar seus assuntos íntimos e pessoais.

 

Portanto, o jogo dramático pode ser uma forma para criar condições de trabalho em um campo mais relaxado e em situação menos conflitiva, mais preservada e, conseqüentemente , mais fácil de ser alcançada.

 

Quanto à indicações do jogo dramático, citaremos as que nos parecem fundamentais:

 

1) Como uma forma direta de se trabalhar terapeuticamente os conflitos pessoais e íntimos de cada um.

2) Para aumentar a coesão grupal e diminuir a formação de subgrupos e facilitar a criação de um respaldo grupal

3) Para que percebam as necessidades de respeito aos limites de uma forma geral; respeito às regras e a autoridade;

4) Para trabalharmos com a competição, a autoridade, a agressividade, problemas de dinâmica familiar, dificuldades escolares e a utilização de drogas- a nosso ver, os temas que mais frequentemente aparecem em grupos jovens.

 

O jogo dramático, utilizado no Psicodrama é muito útil e de grande importância no campo das técnicas dramáticas aplicadas ao ensino, que utiliza a dramatização, como recurso didático, inclui-a em sua tarefa docente e a valoriza como instrumento de ensino em relação à aprendizagem de maneira geral.

 

Sua suposição é de que uma explicação ao aluno em nível teórico é insatisfatória e que, aliada a uma vivência prática, através da dramatização, o resultado será mais eficaz.

 

Para Moreno, Pai do Psicodrama, toda escola deveria contar com uma sala de Psicodrama, que seria um verdadeiro laboratório para o aluno. Permitindo a atuação livre e espontânea de sua personalidade.

 

O Psicodrama volta-se para o campo da terapia e o educador que utiliza o psicodrama pedagógico encontra-se com Moreno, pois ambos compartilham a mesma visão do Homem como ser espontâneo, que através desta espontaneidade, cria, inesgotavelmente.

 

Portanto, o jogo dramático pode auxiliar o educador, tanto diretamente na sala de aula, para a transmissão de um conceito, como para a criação de um clima emocional favorável e receptivo à aprendizagem.

 

O elemento lúdico fica, então, como elemento essencial a todo o processo do aprendizado. O jogo propicia o aquecimento para o aparecimento do processo espontaneidade-criatividade-aprendizagem.                                   

 

Adolescentes e jovens têm no teatro um espaço de fala que, na maioria das vezes, inexiste na escola. O palco é um território livre onde qualquer idéia, tempo ou personalidade pode ser exposta sem acarretar punições comuns na vida real por conta do distanciamento que a ficção proporciona. Essa situação é fundamental para o desenvolvimento de uma reflexão crítica, e contribui para satisfazer a busca de experiências característica da adolescência.

 

Utilizaremos a linguagem do teatro, por meio da vivência de jogos teatrais, com objetivos pedagógicos e conseqüentes efeitos subjetivos, que permitirão aos adolescentes elaborar algumas questões, por intermédio da linguagem; tais questões, por vezes, responsáveis por seus sintomas pedagógicos que geram situações de exclusão dentro da escola, da família, da comunidade.                                                                     

 

A dimensão lúdica que a prática do Psicodrama traz consigo parece-nos favorável para o trabalho com adolescentes, uma vez que pode quebrar com relativa facilidade a atmosfera persecutória que podem surgir em diferentes situações grupais.

 

O Psicodrama torna-se então presente como um grande aliado para a realização deste trabalho, através de algumas técnicas utilizadas em oficinas psicodramáticas tais como:

 

- Role-playing ( treinamento de papéis)

- Jogos dramáticos

- Jornal Vivo - o tema é encontrado a partir de jornais , revistas , textos, etc.

- Teatro Espontâneo - O grupo busca através de técnicas de aquecimento o tema condutor do espetáculo.

- Sociodrama – o grupo vivencia o presente sociocultural da comunidade numa experiência de criação coletiva.

- Retramatização- trabalho coletivo onde irão elaborar textos e dramatizá-los

 

Segundo a teoria psicodramática, o indivíduo perde a capacidade de criar em razão de modelos previamente estabelecidos, que são apresentados no decorrer de sua vida. Sendo assim, os jogos dramático é um meio para ajudá-lo a desentorpecer o corpo e a mente dos condicionamentos da vida atual. Além disso, como há necessidade de estar em campo relaxado para jogar, crescem suas possibilidades para alcançar a solução de seus conflitos.

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